Archive for 12/28/2009
IDDAB: PADRE TONINHO, UM ANCESTRAL AFRO-AFRICANO
A despedida de um missionário negro
Ao longo desta década durante vários momentos procuramos a redação deste jornal para divulgarmos eventos importantes para da Pastoral Afro da Arquidiocese de São Paulo, assim como também, da Pastoral Afro Brasileira – CNBB. Agora venho utilizar este veículo de comunicação para divulgar à Igreja de São Paulo um acontecimento que muito entristeceu a nossa Arquidiocese, o falecimento no último dia 17 de dezembro às 21h30 do nosso querido Pe. Antônio Aparecido da Silva – Pe. Toninho. Sacerdote orionita, que ao longo de 33 anos de sacerdócio, dedicou sua vida à luta em favor dos pobres especialmente ao povo negro brasileiro. Como negro assumiu as dores da sua etnia e, nos representou da maneira mais honrada. Para falar sobre o trabalho missionário do Pe. Toninho seria necessário uma tese de doutorado, mas é possível, no entanto, relembrar aqui que ele, foi um dos precursores do movimento negro no Brasil, que resultou na criação do Movimento Negro Unificado – MNU e na Pastoral Afro. Foi Reitor do Itesp – Instituto Teológico de São Paulo, onde também foi professor, além de ter lecionado na FAI e na PUC – Campinas. Membro da Conferência dos Religiosos do Brasil – CRB, da Soter, membro fundador da Pastoral Afro da CNBB, membro fundador do Grupo Atabaque – cultura negra e teologia, membro fundador do IMA – Instituto Mariama de Padres e Bispos Negros do Brasil, Pároco da Igreja de N. Sra. Achiropita, Provincial da Pequena Obra da Divina Providência – Dom Orione e principal articular da Campanha da Fraternidade de 1988: Povo Negro – houbi o clamor deste povo. Recebeu varias comendas, e destacamos a de cidadão do Bixiga e Paulistano, entre outros títulos recebido ao longo de sua vida. Mas apesar de toda esta trajetória, Pe. Toninho foi uma pessoa que sempre dedicou uma atenção e um carinho especial com os mais pobres e humildes, honrando assim o projeto de São Luís Orione, fundador da sua família religiosa. Por isso mesmo, após sua morte, durante o velório, com a presença de padres de todo estado de São Paulo e de outros estados, o bispo de Bauru que presidiu a missa de corpo presente, familiares, amigos, paroquianos e representantes de entidades civis e religiosas, além de autoridades públicas da cidade de Osasco, de Cotia e da cidade que o adotou: Parapuã; teve, apesar do sentimento de perda dos presentes, um clima de alegria. Durante o seu sepultamento alguns dos presentes se manifestaram, de maneira muito livre, discorrendo sobre suas ações junto aos organismos sociais e suas homilias, destacando o jeito simples de ser deste profeta. Pessoalmente estamos tristes, mas o nosso coração está em festa, testemunhamos a Glória do Zumbi de batina que está celebrando no Quilombo Páscoa. Pe. Toninho por tudo que ele fez, continua presente através do trabalho realizado na Igreja do Brasil e da América Latina, por isso recordemos textualmente um dos seus ensinamentos: “é preciso, ainda que tardiamente ir às ações concretas, respaldadas por POLÍTICAS AFIRMATIVAS, amplas e contextuais que possibilitem minimamente reparações diante das funestas heranças”. Axé aos companheiros e companheiras de caminhada!
Conceição dos Santos
Integrante do Grupo Atabaque e da Paróquia N. Sra. Achiropita