E se o desastre da BP acontecesse em África?

BBC

Louise Redvers

Enquanto prosseguem as operações de limpeza no Golfo de México, muitos questionam: e se um derrame semelhante ocorresse em África?
Companhias petrolíferas defendem que os seus procedimentos de segurança são os mesmos que em todo o mundo, mas estariam realmente os governos africanos à altura de lidar com um derrame de tamanha envergadura? Que efeitos ambientais viria este a ter a longo prazo?

Angola divide com a Nigéria a posição de maior produtor de petróleo do continente bombeando cerca de 2 milhões de barris diários de petróleo e nada garante que o incidente do Golfo do México não possa ocorrer no país.

Com efeito, a BP tem em vista a perfuração de petróleo em águas ultraprofundas do bloco 31 em Angola, numa operação a ser realizada em até 2500 metros de profundidade com acção da desafortunada plataforma Deepwater Horizon.

Grau de preparação

Mas deixando de lado especulações sobre o que aconteceria, estará o país preparado?

A repórter da BBC em Angola, Louise Redvers, colocou a questão ao antigo director para a gestão ambiental no Ministério do Ambiente, Vladimir Russo:

“Angola tem, neste momento, alguns mecanismos que podem permitir responder a este tipo de desastres. O principal mecanismo é a existência de um Plano Nacional de Contingência Contra Derrames de Petróleo no Mar. Por outro lado, existem equipamentos, tanto a nível de dispersantes, como equipamentos físicos – embarcações, bóias, etc – que podem ajudar nesse processo”, disse.

“Estão estratégicamente localizados para poder responder a qualquer derrame que possa acontecer nas áreas onde neste momento há exploração”, acrescentou.

Russo explicou que à luz do Plano Nacional de Contingência de 2008, companhias operadoras internacionais devem assumir a responsabilidade primária, tal como sucede nos Estados Unidos com a BP, e que outras companhias seriam obrigadas, por lei, a apoiar em caso de acidentes de grande dimensão.

Entretanto, Elias Issac, Director da Open Society em Angola, não partilha o optimismo de Russo:

“Não acredito muito que Angola, ou o governo angolano esteja tão bem preparado para essas questões. O que está a acontecer no Golfo do México é um grande exemplo do grande perigo dessas indústrias extractivas, especialmente o petróleo”, disse à BBC.

Legislação insuficiente

Isaac, que acabou de regressar do Estado norte-americano de Houston, onde esteve a fazer lobbying à gigante Chevron sobre o historial ambiental e social da companhia em Cabinda, defende que mesmo dispondo de legislação sobre o petróleo, Angola carece de leis específicas sobre o ambiente.

E o facto, como defende, deixa o país e os cidadãos vulneráveis aos efeitos de incidentes como ao do derrame de petróleo, não apenas para a eventualidade de acidentes em larga escala mas no dia-a-dia:

“Seria bom que o governo angolano formulasse uma lei sobre o ambiente, uma lei que regulasse em termos ambientais as actividades das empresas petrolíferas, que regulasse a questão ambiental, que regulasse também os efeitos, o impacto dessas indústrias sobre as comunidades locais, as comunidades tradicionais que directamente são afectadas, não digo pela poluição, mas pelas actividades das indústrias petrolíferas”, explicou.

Elias Issac, Director da Open Society em Angola, e o nível de preparação de Angola para lidar um grande incidente petrolífero similar ao derrame da BP no Golfo do México e a falta de legislação ambiental no país.

Fonte: http://www.bbc.co.uk/portugueseafrica/news/story/2010/06/100615_angolaoilpkglc.shtml

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s