Migrantes são os primeiros a sofrer com a recessão

Os trabalhadores migrantes são os que mais estão a sofrer com a recessão económica mundial, sugere um relatório elaborado pelo Instituto de Política de Migração, em Washington, encomendado pelo Serviço Mundial da BBC.

O documento, sobre as tendências de migração em 2010 indica que a crise global gerou igualmente uma “pausa” no fluxo de pessoas para os países ricos.

Os trabalhadores estrangeiros são agora duas vezes mais susceptíveis de estarem desempregados do que trabalhadores locais.

Mas apesar do fosso nos números do desemprego entre locais e estrangeiros, as remessas enviadas pelos emigrantes para as suas famílias nos países de origem sofreu uma queda, no ano passado, inferior à prevista, e é esperado que as remessas voltem a aumentar.

Migração ‘congelada’

O relatório indica ainda que “o total da imigração para os países desenvolvidos decresceu rapidamente após o estalar da crise, estancando quase na totalidade o crescimento rápido das populações nascidas no estrangeiro nas últimas três décadas”.

Em resultado disto registou-se ainda, aponta o documento, um declínio acentuado nos níveis da imigração ilegal. O número de trabalhadores estrangeiros que tentam entrar ilegalmente na União Europeia por via marítima caíu mais de 40% entre 2008 e 2009 e continua em tendência decrescente.

Ao mesmo tempo, o número de migrantes ilegais oriundos do México e apreendidos na fronteira com os Estados Unidos decresceu a níveis semelhantes.

Imigração legal

Mas a imigração legal também se ressentiu com a crise. Os fluxos migratórios para a República da Irlanda, proveniente dos mais recentes membros da União Europeia do centro e leste da Europa, caíram em cerca 60% entre 2008 e 2009.

Durante o mesmo período, os Estados Unidos assistiram a uma queda de 50% no número de vistos emitidos a trabalhadores agrícolas pouco qualificados e sazonais, como o pessoal da apanha da fruta e legumes.

Só que a difícil conjuntura económica está igualmente a afectar aqueles trabalhadores migrantes há mais tempo a viver nos países desenvolvidos.

Em Espanha, por exemplo, a recessão afectou profundamente a população migrante, diz o estudo.

No final de 2007, indica o relatório, 12,4% dos imigrantes em Espanha encontravam-se no desemprego, acima dos 7,9% de espanhóis desempregados. Em meados de 2010, após o estalar da crise no sector da construção civil, estes valores tinham subido para 30,2% e 18,1% respectivamente.

“Em Espanha, os imigrantes representam um em cada seis trabalhadores, mas actualmente representam um em cada quatro desempregados”, destaca o relatório.

As razões apontadas são os nichos do mercado laboral, mais vulneráveis à crise, onde os imigrantes se tendem a concentrar.

Migrantes ‘resistentes’

O contexto na Grã-Bretanha é ligeiramente diferente.

Segundo o relatório, um crescimento económico robusto e uma maior abertura à imigração económica, ajudou a trazer os números da população estrangeira para níveis recorde – 13% da população total, no momento em que a crise imobiliária teve início, em 2007.

Ainda assim, os novos imigrantes da Europa central e de leste, que chegaram ao país desde 2005, têm sido pouco afectados pelo aumento no desemprego.

“O influxo recorde de imigrantes não conduziu a níveis de desemprego catastróficos entre eles, em parte devido à influência dos trabalhadores do leste europeu que representam uma grande proporção da imigração mas provaram ser bastante resistentes à recessão”, pode ler-se no documento, que sugere ainda que estes trabalhadores estão a “criar mais raízes permanentes e a formar famílias no Reino Unido”.

Mas nem todas as comunidades imigrantes se deram tão bem como as provenientes da Europa de Leste.

Em especial os imigrantes africanos e do Paquistão/Bangladesh viram os níveis de desemprego atingir o máximo de sempre, há um ano, rondando os 14% e 17%, respecivamente.

Remessas em baixo

No geral os migrantes continuam a enviar para as suas famílias quase tantas remessas como antigamente.

Se durante o ano passado estas remessas caíram 9%, após uma subida em flecha antes da recessão, prevê-se hoje nova recuperação para os próximos tempos. As remessas deverão, segundo as últimas estimativas, subir 6% em 2010.

A nível regional, contudo, notam-se algumas diferenças.

Enquanto que as remessas do Sul da Ásia cresceram 4,9% no ano passado, as provenientes da Europa e da Ásia Central caíram 20,7%. Os familiares dos imigrantes das Caraíbas e da América Latina viram as suas remessas decrescer 12,3%.

Fonte: BBC

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