Mamma África

As estreias de Minha Terra, África (já em cartaz) e Um Homem Que Grita (dia 19), mais evento no Rio, lançam luzes sobre a força da cultura africana

Estreou sexta na cidade o longa Minha Terra, África, de Claire Denis. Coincidentemente, essa visão da África do ângulo dos brancos chega aos circuitos quando o cinéfilo ainda está impactado por outra visão, a do chadiano Mahamat Saleh Haroun em Um Homem Que Grita, destaque da Mostra, onde o diretor recebeu na quinta-feira o prêmio Humanidade. São dois grandes filmes e o de Haroun estreia dia 19 em São Paulo, trazido por uma nova distribuidora, a Bon Film.

Antes disso, o Rio sedia, a partir de hoje, um importante evento de cinema africano. Todos os caminhos levam ao “continente negro”. A sutileza de Claire Denis – Isabelle Huppert vai ao alojamento e vê os colchões dos negros jogados no chão. Faz uma cara, não propriamente de nojo, mas de desagrado. Supervisionando a plantação, ela anda de moto. Solta a mão, que ondula no ar, ao vento. Rainha do mundo, como Leonardo DiCaprio, como o próprio James Cameron, rei do mundo, em Titanic.

O final da Mostra não deixou o cinéfilo paulistano órfão. A entrada em cartaz de Minha Terra, África é a prova de que 34 anos de Mostra operaram alguma coisa no mercado. O circuito tem de atender ao público mais seletivo, não é só pipoca e refrigerante (em filmes de diversão, que os sentidos também pedem, por que não?). Em Paris, em janeiro, durante os Encontros do Cinema Francês, Claire Denis conversou com o repórter do Estado. One a one, a entrevista individual, sonho de todo repórter. Diante da observação dos pequenos toques para construir a personagem de Maria (Isabelle Huppert), ela disse: “Maria pensa que é diferente do sogro colonialista, mas não é. É um pouco a sua tragédia”.

Na quinta-feira à tarde, Claire conversou de novo com o repórter, pelo telefone. Diante do comentário de que Mahamat Saleh Haroun receberia um prêmio especial em São Paulo, disse que conhece todos os seus filmes, incluindo os curtas. Admira-o como diretor e mais – é um amigo. Confidenciou que o jovem ator negro com que termina Minha Terra, África é uma contribuição de Haroun a seu cinema. Claire o viu no filme precedente do amigo, Darrat, Dry Season.

Buscou-o em Camarões, convencida de que poderia haver nisso um significado metafórico. Claire Denis viveu na África e volta ao continente em que situou dois de seus filmes seminais – Chocolat e Beau Travail. Minha Terra nasceu de um pedido de Isabelle Huppert. Ela queria filmar com Claire e sugeriu que fizessem a adaptação de The Grass Is Singing, de Doris Lessing. “O livro já havia sido uma de minhas fontes de inspiração para Chocolat, mas lhe disse “por que não?” Só que ao pensar melhor no projeto, dei-me conta de que não me interessava.”

Fonte: O Estado de S. Paulo

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