Intervenção pode iniciar guerra civil na Costa do Marfim, diz presidente

Qualquer intervenção militar estrangeira na Costa do Marfim poderia causar uma guerra civil, disse neste domingo um porta-voz do presidente do país, Laurent Gbagbo.

Na sexta-feira, líderes africanos ameaçaram o uso de ‘força legítima’ na Costa do Marfim se Gbagbo não aceitar a derrota nas eleições presidenciais de novembro para o oponente Alassane Ouattara.

Mas Ahoua Don Mello, porta-voz de Gbagbo, disse à agência de notícias AFP que uma intervenção daria início a um ‘conflito no interior’, envolvendo estrangeiros que trabalham no país.

‘Todos estes países têm cidadãos na Costa do Marfim e sabem que se atacarem a Costa do Marfim, iniciariam uma guerra civil no interior’, disse ele.

‘Será que Burkina Faso está preparada para receber de volta três milhões de seus cidadãos?’, completou.

Milhões de migrantes de outros países do oeste africano vivem na Costa do Marfim, atraídos por sua economia relativamente próspera. O país é o maior produtor de cacau do mundo.

Pressão
Uma delegação de líderes do oeste africano deve ir ao país na próxima terça-feira para tentar persuadir Gbagbo, a deixar a Presidência.

A delegação será constituída pelos presidentes de Benin, Cabo Verde e Serra Leoa, segundo anúncio da Chancelaria beninense.

Até o momento, Gbagbo não tem dado sinais de que vá ceder. A vitória de Ouattara foi reconhecida internacionalmente.

Cerca de 17 mil pessoas já fugiram do país para escapar da violência que se seguiu ao pleito, disse neste sábado a agência de refugiados da ONU (UNHCR). Catorze mil foram para a Libéria, e três mil, para outros países da região.

Neste domingo, um assessor do presidente, Yao Gnamien, disse à rede Al-Jazeera que os líderes estrangeiros têm primeiro de ‘ver a situação antes de decidir que ação deve ser tomada’.

‘A ONU não pode usar a força contra o presidente. A União Africana não pode usar a força contra o presidente. Devem primeiro identificar claramente qual o motivo desta crise. Por que precisamos usar a força em algum momento?’, agregou o assessor.

Eleição contestada
Gbagbo alega que a votação do dia 28 de novembro – que tinha como objetivo unificar o país após a guerra civil iniciada em 2002 – foi fraudada em áreas do norte do país, controladas por rebeldes aliados ao adversário Ouattara.

A comissão eleitoral do país declarou Ouattara vencedor do pleito, mas o Conselho Constitucional deu a vitória a Gbagbo, a despeito de queixas da comunidade internacional.

Ouattara e seus simpatizantes estão isolados em um hotel no centro de Abidijan, protegidos pelas tropas de paz da ONU.

Fonte: G1

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