Presidente da Tunísia renuncia em meio a protestos

O presidente da Tunísia, Zine Al-Abidine Ben Ali, renunciou nesta sexta-feira após um mês de protestos contra o desemprego, a inflação e a corrupção no governo.

Protesto em Túnis (AP)

O anúncio foi feito na TV estatal tunisiana pelo primeiro-ministro Mohammed Ghannouchi, que disse estar assumindo o poder no país.

O primeiro-ministro afirmou que Ben Ali estava temporariamente incapaz de exercer seu cargo. Ele teria embarcado em um avião rumo norte, mas ainda não está claro qual seria seu destino.

Ghannouchi, de 60 anos, é um ex-ministro das Finanças que se tornou primeiro-ministro em 1999.

A renúncia de Ben Ali, que ascendeu ao poder em 1987 e foi reeleito para outro mandato de cinco anos em 2009, ocorreu após o governo decretar estado de emergência e um toque de recolher enquanto milhares de manifestantes protestavam no centro da capital, Túnis.

O decreto proibia reuniões de mais de três pessoas em lugares públicos, e as forças de segurança foram autorizadas a abrir fogo contra quem não respeitasse a restrição.

A polícia tentou dispersar a multidão com gás lacrimogêneo, soldados cercaram o principal aeroporto do país, e o espaço aéreo tunisiano foi fechado.

Dissolução do Parlamento

Antes, também nesta sexta-feira, Ben Ali havia dissolvido o governo e convocado eleições legislativas em seis meses em resposta à crescente turbulência no país.

Na quinta-feira à noite, ele anunciara que deixaria o poder em 2014 e que não pretendia mudar a Constituição para ampliar o limite de idade para presidentes, o que lhe permitiria concorrer a uma nova eleição.

Ben Ali, que no início da semana atribuiu a turbulência no país a influências “terroristas”, também disse sentir “profundo pesar” pelas mortes de civis em manifestações.

Grupos de direitos humanos afirmam que mais de 60 pessoas morreram nas últimas semanas, à medida que os confrontos se intensificavam no país.

Médicos dizem que 13 pessoas foram mortas em confrontos na quinta-feira à noite em Túnis, e há relatos não confirmados de que cinco pessoas morreram em protestos na sexta-feira nos arredores da capital.

Retirada de turistas

Nesta quinta-feira, a agência de turismo britânica Thomas Cook anunciou que retiraria todos os seus 1,8 mil viajantes em férias na Tunísia. A agência cancelou as partidas para o país agendadas para o próximo domingo.

O turismo é essencial para a economia tunisiana e uma importante fonte de empregos.

Além da Grã-Bretanha, os Estados Unidos e a França estão entre os países que aconselharam seus habitantes a não viajar à Tunísia.

“A situação é imprevisível e há potencial para que a violência se intensifique”, disse a chancelaria britânica em seu último comunicado para turistas.

Nesta quinta-feira, a embaixada do Brasil em Túnis enviou comunicado aos brasileiros que vivem no país sugerindo que permanecessem em casa.

Início dos protestos

A onda de manifestações começou em dezembro quando um jovem ateou fogo a si mesmo após ter sido impedido pela polícia de vender vegetais por não ter uma licença.

Os protestos eram inicialmente contra o desemprego e o alto preço dos alimentos, mas depois passaram a representar a insatisfação popular com o presidente e com a elite governante.

A França, antiga metrópole do país, criticou o “uso desproporcional de violência” e pediu calma para ambos os lados.

Ben Ali foi o segundo presidente da Tunísia desde que o país se tornou independente, em 1956. Ele chegou ao poder em 1987 e foi reeleito com quase 90% dos votos para um mandato de cinco anos em 2009.

Na quinta-feira, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, alertou líderes árabes de que eles enfrentariam protestos crescentes se não promovessem reformas econômicas e políticas. Hillary falava no Catar ao fim de uma visita a quatro países do Golfo Pérsico.

Fonte: BBC

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